terça-feira, 1 de junho de 2010

A perfeição da imperfeição!


A vida é uma sucessão de experiências, uma série de batalhas que temos que superar (ou pelo menos tentar). Ao longo da vida vamos percebendo que tudo na vida se obtém em troca de outra coisa, mesmo que muitas vezes não o consigamos perceber. 
Por vezes, até mesmo nós terapeutas nos deixamos encurralar, em áreas da nossa vida que ainda não conseguimos superar. Sim, nós também temos os nossos dramas! 
Na verdade, para lidarem com as suas próprias ilusões, muitos terapeutas, atraem sobre a forma de clientes as partes de si mesmos que ainda não conseguem amar. É aqui a que todos vimos parar e que nem todos querem aceitar: há partes de nós que temos que aprender a amar, por mais que nos custe! É a aceitação de nós próprios como um ser imperfeito... Ou será que somos perfeitos nessa imperfeição que nos caracteriza enquanto seres humanos?

6 comentários:

Ana Paula disse...

Olá Pensador.
Mais um texto, pertinente!!!
Consegues colocar o "dedo na ferida" dos aqui seguidores, ao aclarares sentidos (teus!) que tantas vezes tb nós, enublamos no nosso mais intimo esconderijo.
Aceitar-mo-nos tal qual somos nem sempre é tarefa fácil.
Mas, mais difícil ainda é, aceitar-mo-nos e assumirmos o que de errado possamos estar fazendo em nossas vidas.
Vêm as opções....as direcções, e heis que aqui, as responsabilidades são exclusivamente nossas.
E é no rodopiar desta roleta, a que chamo Vida, que se em momentos que quase fraquejamos mas não o deixamos acontecer, nos tornamos seres cada vez mais fortes e iluminados.
Aprendizado.....assim lhe chamam e eu, mera aprendiz----acredito e sustenho!
Adorei ler-te, uma vez mais!
Beijos c carinho.

Ricardo Veloso disse...

Olá Ana Paula
Pois, os meus textos, por vezes, têm essa característica peculiar: a pertinência. No entanto, eu gosto destas interrogações, destas coisas confusas do ser humanos. São todas estas coisas que nos tornam únicos e especiais e, de facto, não é fácil aceitarmos esses monstrinhos dentro de nós, porque exigimos a nós mesmos sempre o melhor, a incessante busca pela perfeição que tantas vezes nos corrói o coração.
Bjs

Paulo disse...

Amigo,
Um texto muito bom este, que nos levaria a divagar por muito mais lados.
Começa por exemplo, pela forma como encaramos as "batalhas" (se encaramos como obstáculos ou oportunidades). O medo do desconhecido não é muito tentador. Eu por mim falo.
Muito curioso aquilo que falaste sobre os terapeutas e os seus dramas. É natural que os terapeutas tenham os seus dramas, somos humanos, em busca de uma perfeição mas o que achei mais curioso foi quando falaste que os terapeutas "atraem sobre a forma de clientes as partes de si mesmos que ainda não conseguem amar."
Tenho uma dúvida neste ponto.
Ao acontecer isto, poderá ou estará o terapeuta habilitado a prosseguir a terapia com esse paciente, uma vez que é um problema com o qual o terapeuta também não sabe lidar? Não seria mais lógico (e honesto para o cliente) ser seguido por outro terapeuta?
Deixo-te com a pergunta.
Grande abraço
Paulo Eduardo Campos

Ricardo Veloso disse...

Olá estimado amigo Paulo,
É um prazer enorme ter-te aqui no meu blog.
De facto, a tua leitura sobre a falta de capacidade de um terapeuta para lidar com um paciente com um problema similar é razoável. Contudo, eu acredito (ou quero acreditar) que, no exercício das suas funções, os terapeutas sabem separar as águas e que serão suficientemente íntegros ao ponto de ter a humildade e a coragem de dizer "não me sinto à vontade a gerir este tipo de patologia" e encaminhem os pacientes.
Na verdade, ou indo mais a fundo, tenho duas leituras: uma diz-me que um bom profissional será capaz de orientar o seu paciente (porque podemos ser capazes de orientar alguém e não termos a capacidade de nos orientarmos a nós mesmos, tal e qual como dizer a um filho; fumar faz mal e não ter capacidade de deixar de fumar), e outra que me diz que: há quem se possa sentir tentado a "domar" um fantasma seu através da orientação de um paciente (servindo paciente como um reflexo e um factor motivacional, fazendo o próprio terapeuta acreditar que é possível superar esse fantasma.

Diana disse...

Olá...
Li em qualque lado que a "perfeição é uma primorosa colecção de imperfeições", e realmente uma verdade. Não existe uma perfeição, apenas existe um conjunto de atitudes, situações, coisas... que mesmo que imperfeitas, aos olhos de alguem serão perfeitas... e no fundo isso é que tem valor. Aquele(s) que das nossas imperfeições encontam o melhor de nós...!!

Bjitos

Ricardo Veloso disse...

Diana,
Subscrevo na totalidade as tuas palavras e mais não digo. :-)

Bjs